terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Traduções de mim... #1


Os dias, lentamente, vão passando, passando...
e eu na busca incessante de mim, em mim...
pela trilha da vida meu coração segue andando
na busca do radiante, que se esconde neste tempo a passar assim...
(Ísis. - em dezembro 2010)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Par de Botas.


Nós, que um dia fomos alegria, somos agora tristeza...
Nós que um dia fomos o início, agora somos o fim.
Lembramo-nos bem do momento em que nos unimos;
Nós a você.

Uma nova vida se descortinava... Exercias uma profissão! ...
Quando tu te tornaste um mágico a construir o teto de mundos alheios,
Edificando lares, que mal sabias tu que eram sonhos!

Nós estávamos contigo a cada passo, a cada subida, a cada descida...
No pesar do calçar e no prazer do descalçar.
Testemunhamos teu cansaço, teu renovar de forças e tua luta diária...
Te ajudamos como pudemos... Te demos todo o conforto e proteção que podíamos...
Mas nossa vida chega ao fim... E a tua continua.
Mesmo cansado e já estropiado como nós, a tua continua.

E se renova... Tu tens um legado que te ama, conforta e alegra muito mais do que nós nunca pudemos.
Tu tens uma nova vida, na tua vida.
Acabou-se uma e começa outra.

Nós não. Somos agora apenas a lembrança do que fostes,
já não somos parte do teu agora.
Vez ou outra tu te lembrará de nós, ora com saudade, ora com o alívio do fim, ora com orgulho...
O orgulho.
Esse é nosso resquício em tua nova vida... Com ele tu te lembrará que sois quem sois também por nós... Te ajudamos a chegar até aqui.

Mas o agora não tem espaço para um par de botas. Botas de operário.
Somos tristeza pelo fim de nossa vida e pela saudade de nossa importância para ti.
Morremos com o orgulho do que vivemos juntos... felizes pela tua nova vida.

Nós, que fomos um dia alegria, somos agora saudade.

(Ísis. - em agosto de 2010)



*a gravura é obra de Vincent Van Gogh - "O Par de Botas", e o texto foi feito a partir dela para um trabalho da faculdade.)

domingo, 21 de novembro de 2010

As Cores de Mim.

Comecei cedo num mundo estranho, azul com amarelo e tons de rosa.
Tudo bem alegre e sem muita consciência... infantil.
Depois fui crescendo, crescendo, e o azul foi ficando forte, e unindo-se ao roxo e ao preto.
Passei um bom tempo assim... Alternando entre a definição e o borrão dessas..
Depois troquei o roxo por lilás, algo de um roxo menos fechado, e um pouco de verde alegre, sempre com os nuances de azul e preto.
Aí cheguei ao um ponto vermelho-café que ficava escondidinho dentro de mim. E fiz dele o que eu não era antes.
O que nunca tinha sido antes.
Mas sem nunca deixar o azul, já num tom de céu, o preto, pro lado profundo e incompreensível de tudo...
Com o roxo e suas variações, pra parte mais mundana, mais exterior, mais visível... do meu quadro, minha paisagem, minha imagem, do eu, de mim.

(Ísis. - em 2010)

sábado, 20 de novembro de 2010

Algumas palavras minhas sobre Amor e Amar...

..
"Dizem, que quando amamos de verdade é que conheceremos uma verdadeira dor no coração. Entramos em uma viagem sem volta, onde, se houver um final, pode ser catastrófico.

Uns, conseguem simplesmente controlar o amor. Medem-no, lidam com isso como dose de remédio, por medo de overdose, ou dor.
Outros, inebriam-se e vivem-no tão intensamente que saem da realidade lógica do mundo mesquinho em que vivem. Pra estes, o amor é válvula no peito, combustível de vida, chama da felicidade, e como aqui não existe perfeição, eles sofrem. Sofrem por serem "idiotas", "fracos" e até "chatos", segundo quem não consegue enxergar a vida com os bons olhos da esperança de sermos felizes, e os bons olhos que enxergam além do pouco, inútil e quase nada que uma vida egoísta nos dá.

Como, os que amam podem ser taxados de "idiotas", se um idiota é um falto de inteligência? Como, sendo eles assumidos de sua inteligência por assumir o que sentem e seguirem o que lhes faz bem, lhes é remédio, lhes completa? Burrice, seria escolher seguir os outros em busca de uma casca vazia, ou fugir da tentativa de algo feliz por medo, ou por fechar, bloquear suas idéias em nome da fuga de uma deliciosa responsabilidade... Dividir, doar tudo de bom, e receber tudo de volta, sempre, é algo ruim?

Como, os que amam podem se taxados de "fracos", se são a personificação da coragem e da força, por estarem dispostos a enfrentar o risco de sentir dor, por livre e espontânea vontade? Eles podem sofrer pela falta de reconhecimento de quem se ama, pela dor de perdê-lo, pela cobrança do mundo mesquinho por "imagem", "aparência", pela falta que se sente do ser amado... Amar, é ter coragem se ser feliz.

Os que amam, são "chatos", por não terem o mínimo que eles querem... se se entregam de corpo e alma, tudo que querem é o seu gesto de carinho vivo, por mais discreto que seja aos olhos do mundo... o que importa é cada detalhe que só quem ama repara. Os que amam querem ser reconhecidos, não pelo mundo, e sim e unicamente, por aqueles a quem amam.

E mesmo existindo tantas formas diferentes de amar e de se demonstrar amor, se combinando até as tão diferentes, tudo entra em consentimento... um consente ao outro sua forma, mas, não deixa de demonstrar que ele, o amor, está vivo.

No dicionário, amor significa "Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso." Então, se amar é ir atrás de tanta coisa boa que nos faz realmente bem, porque fugir dele?"

(Isis. - em 29/03/2007)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Letra de música: Empty.

-> Da linha "metida a escrever letras de músicas em inglês..." ^^

Empty

When a feeling of emptiness take over you being
 Invading every room of you home
 And there's no music, drinks or drug to change it
What would you do?

(*)You're alone in this cruel world
This latent blood in your veins
 Claiming for new sensations, new emotions
For the overwhelming power of something that you don't know what it is
 But you need it incessantly…

When you love someone
 And this one loves you the same way
 There are moments when this connection  explodes a power
 That for a few moments fills all the emptiness
Of yourself
Of your life
Of this world
And what would you do?

(*)

Is this an eternal emptiness?
You'll never know... you just need It incessantly…


TRADUÇÃO:

Quando um sentimento de vazio toma conta do seu ser
Invade todos os quartos da sua casa
E não há música, bebidas ou drogas para mudar isso
O que você faz?

(*)Você está sozinho nesse mundo cruel
Esse sangue latente em suas veias
Clama por novas sensações, novas emoções
Pelo poder avassalador de algo que você não sabe o que é
Mas necessita incessantemente...

Quando você ama alguém
E esse alguém te ama com a mesma intensidade
Há momentos em que dessa união explode uma força
Que por instantes preenche todo o vazio
De você mesmo
Da sua vida
Desse mundo
E o que você faz?

(*)

Esse vazio é eterno?
Você nunca vai saber... apenas necessita incessantemente...

(Ísis. - algum dia do 1º semestre de 2006)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Abrace-me agora...


Abrace-me agora
Pois o mundo está caindo
Tomaram tudo de mim
E eu ainda não sei o porquê
Me leve pra longe daqui
Eu preciso ir embora agora
O que posso fazer por você?
Sua vida não se despedaçou como a minha...
(*) Eu preciso de um novo mundo
Eu preciso de um novo motivo
Porque estou confusa e perdida
E quem irá me mostrar o caminho?
Abrace-me agora
Você pode ver minhas lágrimas?
Não se preocupe, são de momento...
Quando a tempestade passar eu poderei sorrir
Num novo dia
Porque talvez seja um novo eu
Uma nova pessoa perfeita
Que o mundo moldou... ou revelou...
São muitas coisas pra se levar em consideração
Mas eu não sou um molde
Ou talvez por fora até eu pareça
Mas o conteúdo é bem diferente...
(*)
Abrace-me agora
O pior já passou
Abrem-se as portas
E nesse novo ar que eu respiro
Eu encontrarei o que perdi
E terei tudo de volta
Melhor que antes...
(Ísis. - algum dia do 1º semestre de 2006)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma Benção Divina... Rezemos. ^~


A Missa dos Inocentes

Se não fora abusar da paciência divina
Eu mandaria rezar missa pelos poemas que não
Conseguiram ir além da terceira ou quarta linha,
Vítimas dessa mortalidade infantil que, por ignorância dos pais,
Dizima as mais inocentes criaturinhas, as pobres...
Que tinham tanto azul nos olhos,
Tanto que dar ao mundo!
Eu mandaria rezar o réquiem mais profundo
Não só pelos meus
Mas por todos os poemas inválidos que se arrastam pelo mundo
E cuja comovedora beleza ultrapassa a dos outros
Porque está, antes e depois de tudo,
No seu inatingível anseio de beleza!


Mario Quintana


* Irandé Antunes que me mostrou essa jóia. Achei uma bênção a todos aqueles que são "escrevedores" de suas levezas; estas que nem sempre conseguem sair de dentro de nós em forma de versos bonitos e/ou bem feitos...